19 de mar de 2012

Mais uma matéria no jornal de hoje sobre o mercado de startups brasileiro!


"Guerra por talentos chega às startups

Por Letícia Arcoverde | De São Paulo
Aline%20Massuca%2FValor  Para encontrar pessoas para atuarem na equipe da HelpSaúde, a gerente de marketing Cláudia Rabaça, e os fundadores Tadeu Maia e Gustavo Guida Reis lançaram campanha on-line chamada “Projeto Esquadrão”
Após o desafio de vender a ideia, tirar a empresa do papel, conquistar investidores e desenvolver o produto, as startups brasileiras - pequenas empresas inovadoras com alto potencial de crescimento - passam a enfrentar um problema de gente grande: a guerra por talentos. Em um momento em que mesmo companhias estabelecidas têm dificuldade para achar o profissional ideal, as empresas novas precisam abusar da criatividade para aumentar a equipe.
Com três anos de idade e duas rodadas de captação, a startup HelpSaúde, localizada no Rio de Janeiro, vai aumentar o time de três para dez pessoas. Para encontrar os novos membros da equipe, os fundadores Tadeu Maia e Gustavo Guida Reis lançaram na quinta-feira uma campanha on-line em busca de profissionais com um perfil específico. Além das habilidades técnicas, o "Projeto Esquadrão" vai buscar candidatos que tenham jogo de cintura, cabeça aberta, se identifiquem com a cultura inovadora da empresa e tenham vontade de construir o produto e crescer junto com os fundadores. Além, é claro, de assumir o risco de apostar em uma empresa recém-criada.
"Sempre foi difícil achar gente para startup", explica Reis, que já acumula experiência com a Bondfaro, empresa fundada por ele aos 23 anos, o Buscapé, onde trabalhou após a fusão entre os dois sites, e a grife British Colony. "Hoje, há uma efervescência dessa cultura inovadora, mas isso também significa mais competição", explica. A estratégia da HelpSaúde, que oferece serviço de busca de profissionais médicos, é "viralizar" uma campanha de recrutamento para vagas na área de desenvolvimento web, design, marketing e administração. Com um processo seletivo que inclui happy hours com a equipe atual, a campanha está oferecendo uma recompensa de R$ 1.000 para quem indicar um profissional que for contratado.
Para Bob Wollheim, fundador do SixPix Content, empresa responsável por eventos de inovação como a ExpoY e a Social Media Week, o principal desafio que as startups enfrentam na hora de recrutar é competir com empresas maiores - que oferecem mais benefícios e estabilidade. Como exemplo, ele cita o fato de Google e Petrobras terem dividido espaço no pódio da eleição das empresas dos sonhos entre universitários e recém-formados, realizada pela Cia de Talentos no ano passado. "Parece que o jovem brasileiro ainda está na dúvida se quer inovação ou segurança", diz. Atrair profissionais mais velhos e já estabelecidos no mercado é ainda mais complicado. "Além do preconceito, ter o nome de uma grande empresa no cartão de visita ainda vale muito, mesmo que sem um cargo alto para acompanhar."
As startups, no entanto, precisam lidar também com outras questões na hora de contratar. Há a pressão dos investidores para entregar resultados - já que essas empresas geralmente aumentam a equipe após receber aportes - e a necessidade de envolver todos os funcionários, que geralmente são poucos, no processo de recrutamento. A HelpSaúde já usou headhunter para preencher uma vaga, mas não gostou da experiência, por achar que o profissional não se encaixava no perfil desejado. Agora, está investindo forte em uma campanha própria e Reis espera que o resultado compense. "É mais fácil atrair as pessoas fazendo barulho do que pelo meio tradicional", diz.
Foi "fazendo barulho" que Lucas Alvares e mais dois sócios lançaram o desafio "Prefiro uma Startup", na metade do ano passado, para encontrar um desenvolvedor para a empresa que estavam tentando tirar do papel. Mantendo o nome da startup em segredo, o site do desafio oferecia salário de R$ 5 mil com benefícios para quem "desse conta do recado".
Com quatro fases, o projeto recebeu mais de 200 inscrições e chegou a 10 finalistas que participaram de uma maratona de programação inspirada nas desenvolvidas pelos criadores do Facebook, documentadas no filme "A Rede Social". Três finalistas foram escolhidos e, apesar de a empresa não ter recebido o aporte necessário para sair do papel, os desenvolvedores continuam em contato com Alvares, sendo que um deles participou do novo projeto que o empreendedor está montando atualmente. "O objetivo foi despertar o interesse para esse segmento", explica. "É difícil achar alguém, em um banco de currículos, que tope correr os mesmos riscos que você."
O site Mais Startup, contudo, tenta preencher esse espaço. Baseado em um modelo que já existe em outros países, ele permite que as empresas iniciantes divulguem ofertas de emprego que variam de vagas para trabalhos freelancer a oportunidades de se tornar sócio investidor. Lançado em 2010, hoje o site possui mais de 400 startups cadastradas e, atualmente, 350 vagas ativas.
Em uma pesquisa interna realizada após seis meses no ar, verificou-se que cerca de 80% das vagas eram para profissionais com menos de cinco anos de carreira e mais da metade oferecia emprego fixo. As palavras mais usadas para descrever os profissionais procurados são "empreendedor", "jovem" e "dinâmico". A mensagem parece chegar ao público certo: de acordo com o estudo, 80% dos candidatos que usam o site têm menos de 28 anos, 90% têm perfil no Twitter, 60% já estão no segundo emprego e 85% querem empreender.
Os especialistas e os empresários concordam que receber aportes de grandes fundos facilita o recrutamento, pois além de tornar possível equiparar os salários aos do mercado, o reconhecimento representa mais estabilidade. "Há uma tendência crescente de pessoas que querem trabalhar com empresas emergentes, mas o mercado de trabalho ainda busca segurança", explica Edson Rigonatti, sócio do fundo de investimento Astella, que foca em empresas inovadoras.
Os fundos também dão apoio administrativo às empresas e estão começando a oferecer plano de opções como parte do pacote na hora de atrair novos funcionários. O executivo considera a prática, comum nos Estados Unidos, essencial para talentos-chave. "As pessoas sabem, por exemplo, que os cem primeiros funcionários do Facebook estão ricos, pois têm participação na empresa", explica. Acima de tudo, porém, Rigonatti ressalta que é preciso oferecer uma aventura e a chance de as pessoas fazerem o que gostam.
Foi assim que a empresa de tecnologia de diagnóstico de imagem Pixeon, hoje com nove anos, saiu da incubação para uma estrutura de 64 funcionários e mais de 150 clientes. "O que ajudou muito a atrair gente foi a percepção de que nosso negócio tem impacto na saúde das pessoas", explica o fundador Fernando Peixoto. Segundo ele, a competição para contratar é acirrada, mas a empresa se posiciona bem com salários na média do mercado local - Florianópolis -, benefícios e participação nos lucros.
Com a intenção de atrair talentos, a empresa também investiu no ambiente de trabalho e chamou o arquiteto responsável pelo escritório do Google em São Paulo para desenvolver a nova sede para a qual a empresa se mudou no ano passado. Em novembro, recebeu aporte da Intel Capital, braço de 'venture capital' da fabricante de computadores, e quer expandir o time para 82 colaboradores até o fim do ano.
Além de atrair profissionais de fora da cidade, que compõem cerca de metade do time atual, a companhia também tem parcerias com universidades locais para recrutar e usa os contatos dos funcionários em sites de relacionamento como o LinkedIn.
As redes sociais são uma fonte importante de recrutamento para startups. A empresa de publicidade on-line Navegg, que começou em 2010 com um aporte da Astella e hoje foi incorporada ao grupo Buscapé, achou toda a equipe atual de nove pessoas por meio dos canais de Twitter @trampos e @nalabuta, que, juntos, anunciam gratuitamente vagas na área de comunicação para mais de 83 mil seguidores.
Para o fundador da empresa, Adriano Brandão, usar esse tipo de serviço já é uma forma de filtrar os candidatos. "Se a pessoa viu a vaga, significa que ela está antenada a esse mundo e já preenche um requisito", explica. A maioria da equipe atual veio de companhias maiores, atraídos pela possibilidade de atuar em um ambiente inovador e fazer parte do time inicial de uma empresa com alto potencial de crescimento. É o caso do designer Fabrizzio Zampieri, que deixou uma vaga na Positivo Informática para entrar na Navegg há oito meses. "Era uma carreira estável, mas monótona e com muita burocracia. Aqui, as coisas acontecem mais rápido, você tem mais liberdade e faz parte do carro-chefe da empresa", explica. "

Leia a matéria na íntegra no link abaixo:

http://www.valor.com.br/carreira/2575462/guerra-por-talentos-chega-startups

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